sábado, 15 de setembro de 2012

Tens razão de não confiar em mim. Eu mesma não sou capaz de fazê-lo. Tenho sido instável, movida por esse desejo que me arrasta e me toma em meu vazio. Essa fome que nunca/me cala. Por vezes acredito ouvir meu estômago grunhir seu nome como um animal que clama por sua presa. Vezes outras, minha fome vai além de qualquer nome ou existência que eu possa conceber. Por fim, por vezes, por tanto, sacio-me antropofagicamente em mim. Calo os grunhidos de minhas entranhas me consumindo, parte a parte, pedaço a pedaço, degustando cada um dos sabores que posso exalar. E por enquanto, por hoje, por agora, hei de me-deliciar-me, à mim, comigo, masturbatoriamente e nada mais.

2 comentários:

  1. Lindo, profundo e encantador!
    Creio ser apenas mais uma fase, esta que você citou, de instabilidade e insaciedade. Acho fundamental que todos se conheçam, e passar um tempo "consigo-mesmo" é uma ótima forma de o fazer! *-*
    Lindo, lindo!
    Amo teus textos.

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